(Rodrigo Oliveira, 15 de Junho de 2014)

Eu que já não amo mais você

Não me importava passar uma hora ou mais, um dia ou mais, um mês ou mais. Nada daquilo parecia ser perda de tempo para mim e de fato não era. Sou hoje fruto de todos os segundos gastos. Meus filhos serão educados um dia a partir desse fruto. Então seria completamente incoerente afirmar que não valeu de nada. Então eu digo: valeu. E como valeu!

Me digo capaz de lembrar de momentos inesquecíveis ao lado daquela mulher, sejam eles alegres ou tristes. Ainda me lembro de um fim de tarde na serra de um mês de abril e de um belo amanhecer do mês seguinte, ambos em tão bela companhia quanto era a paisagem. Ela era de fato muito bonita.
Aprendi em pouco tempo valorizar um sorriso sincero acompanhado de um bom batom vermelho, e em alguns acréscimos de tempo a mais, aprendi a valorizar uma boa discussão. Hoje acredito que nem toda briga vem para o mal, mesmo sabendo que a maioria delas terminam na cama. Mas o verdadeiro porém na briga vem depois do sexo. Vem na hora de não conseguir dormir, no repercutir das palavras na cabeça. Sem dúvidas, toda boa discussão me levava a isso. Horas e mais horas de rolamento na cama. Horas e mais horas em tentar entender que eu havia errado, e de fato havia. Aprendi que ainda errarei bastante, e que terei que aceitar quando isso acontecer.

Engraçado, uma vez li o Leminski falar que a vida se encarrega de transformar o amor em raiva ou em rima. Queria que ele fosse vivo para eu perguntar o que acontece quando ele vira um extremo oscilado. Momento agora raiva, momento depois rima. A única certeza que eu tenho, é que o meio termo se chama amizade. Um verdadeiro amor sempre tem seu companheiro de pé vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana. Mais uma questão levantada para o Leminski: e quando o companheirismo acaba e não se tem mais raiva, nem rima?

Já não sinto aquela vontade de voltar no tempo, de reviver tudo outra vez. Talvez o correr do relógio tenha me feito um pouco bem. Pode ser efeito daquelas doses de escocês, ou pode ter sido aquele fim de semana no campo com a Martha. Ambos andam me fazendo bem. Já não me sinto tão entediado aos domingos, nem triste às sextas. Realmente amar é bom, mas se amar… Ah, se amar é muito bom.

(Rodrigo Oliveira, 28 de Maio de 2014)

Saudade dói, dói, dói…

Com todo mundo é igual. Acredito que ninguém possa viver sem em algum instante sentir saudade. Saudade daquilo que se foi, do que passou, do que deixou de ser presente. Uns dizem que arde, outros que revira as entranhas de dentro para fora.
Gosto de me referir como um corte profundo com um pouco de suco de limão. Acredite, arde bastante, dói e lágrimas descem involuntariamente. Saudade é um travesseiro lavado com cheiro de passado. É uma indecisão entre querer e dever. Quando os dias parecem passar mais rápido, talvez fique um pouco mais fácil, mas sempre existe aquele vazio insaciável por dentro. Uma falta, um aperto. Um relaxar que vez ou outra se contrai de forma involuntária.
Música na sala, café quente na varanda, porta-retratos por todos os lados e aquela velha mania de arrumar e desarrumar as coisas à moda casal… Sem dúvidas, sintomas de saudade. De dia sorriso quente, esperançoso. De noite lágrimas geladas, solitárias. Pensamentos a voar, um receio de ter sido tudo apenas ilusão. A falta dói, o silêncio corrói.
Saudade é querer e ainda assim viver sem. É saber sorrir mesmo sendo de mentira. É lembrar ao ler um livro ou um poema. É não querer ir sozinho ao cinema. É não ter nada faltando, mas mesmo assim faltar. Saudade, é verdade. É toda aquela vontade de voltar no tempo, de reviver, de rir e de chorar. Saudade, meu bem, é de longe cuidar e jamais não recordar.

(Rodrigo Oliveira, 27 de Maio de 2014)

Já era amor, antes de ser

Se por acaso você já acordou no meio da madrugada com aquela angústia de saber se está tudo bem com um certo alguém, com uma saudade fora do comum ou uma simples vontade de escutar a devida voz… Já é amor.
E aquele breve momento, que até as coisas mais banais se transformam nas mais lindas? O jeito de dormir ou acordar, a forma como se dança, as músicas cantadas no chuveiro… Tudo parece conspirar a favor de um sentimento sem explicação, que em sua maioria, acontece repentinamente na vida de cada um de nós. Não podemos deixar de salientar um compartilhamento de dores como uma das formas de amor mais sincera existente. Afinal, o simples fato de perceber de longe que algo está fora do lugar significa conhecer à fundo uma personalidade – um coração em sintonia dói quando percebe que o outro caminha triste.
Quando não existe cobrança e uma vontade de fazer por si só, por querer agradar e arrancar sorrisos verdadeiros, já é um amor em estado avançado. Em estado de mutação de confiança. É chegada a fase em que dois corpos já estão em tamanha harmonia que fica difícil distinguir muitas coisas. Tudo é comum de dois. Não existe singular, apenas plural.
Então percebe-se que a vontade de realizar sonhos só tem graça se for em conjunto, o último pedaço do bolo de domingo pode passar a semana inteira na geladeira – se não for para ser divido. A segurança aumenta e a alegria parece transbordar pelos sorrisos exalados. Os beijos de boa noite, os últimos pensamentos, tudo… Tudo tem dono(a), endereço e telefone. O teu alguém, na verdade não foi achado por sorte. Sempre foi seu. Já era amor, antes de ser.

Rodrigo Oliveira

É animada
mulher maravilha
menina mimada,
ousada,
sabe chegar e sair
sem perder nada
de salto no asfalto
me chamou atenção
quem diria que um dia
uma dama de assalto
roubaria meu coração…
07:10 Maio 22nd
with 2 notas
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Rodrigo Oliveira

Eu quis mais. Quis sinceridade, um inteiro e nada por metade. Sem universos paralelos, eu quis verdade. Eu quis tudo ou nada, toparia qualquer parada nem aí para as topadas. Pedras são feitas para serem desviadas ou coletadas, afinal, quem já não quis ter um castelo? Quem já não quis ter uma rainha? Eu quis. Ainda hoje, vou contra um tempo frio e outro que parece não passar, catar pedras para o castelo terminar. Ainda acendo velas na cozinha, à espera da rainha chegar.
Rodrigo Oliveira

E lá vinha uma morena
que cabelo preto, tinha
sorriso bonito, também
esbanjava fofura
mas o estresse, convém
menina maluca
de brilho no olhar
me alucina a cuca
me faz sonhar,
morena maluca
que lindo andar
me dói a nuca
só de lembrar,
menina morena maluca
escolhi te amar
já passou da hora
da gente deitar…
Rodrigo Oliveira

Inverno sem teto
surgindo num
inferno sem Devil
onde todos os seres
são um pouco maléficos…
Rodrigo Oliveira

De lá pra cá, tudo é tão igual. Vivo num universo paralelo, tudo assim, surreal. Do lado de lá o mal prevalece, aqui só o bem permanece… Uma pena ser tudo imaginação. Queria viver assim nesse mundão.
02:47 abr. 27th
with 65.175 notas
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Com amor, Savannah.   (via beways)

Querido John,
Há tanta coisa que quero dizer para você, mas não tenho certeza por onde devo começar. Devo começar dizendo que te amo? Ou que os dias que passei com você foram os mais felizes da minha vida? Ou que, no curto espaço de tempo que nos conhecemos, passei a acreditar que fomos feitos um para o outro? Poderia dizer todas essas coisas e tudo seria verdade, mas, enquanto releio estas palavras, a única coisa que passa pela minha cabeça é que queria estar com você agora, segurando sua mão e olhando seu sorriso elusivo. No futuro, sei que vou reviver o tempo que passamos juntos mil vezes. Vou ouvir seu riso, ver seu rosto e sentir seus braços em torno de mim. Vou sentir falta de tudo isso, mais do que você pode imaginar. Você é um cavalheiro raro, John, eu estimo isso em você. Todo o tempo em que estivemos juntos, você nunca me pressionou para dormir com você, e eu não posso dizer o quanto isso significou para mim. Tornou o que temos ainda mais especial, e é assim que eu quero me lembrar para sempre do período que passamos juntos. Como uma luz branca e pura, cuja contemplação é de tirar o fôlego. Penso em você todos os dias e sei que, quando for te ver amanhã, dizer adeus será a coisa mais difícil que já fiz. Parte de mim teme que chegue um momento no qual você não sinta mais o mesmo sentimento, que por algum motivo você esqueça o que nós compartilhamos, então é isso que eu quero fazer. Onde quer que você esteja e não importa o que esteja acontecendo em sua vida, na primeira noite de lua cheia – como na noite em que nos conhecemos – quero que você a encontre no céu noturno. Quero que você pense em mim e na semana que partilhamos, porque, seja onde for, seja o que estiver acontecendo na minha vida, é exatamente isso o que vou fazer. Se não podemos estar juntos, pelo menos podemos compartilhar isso, e talvez entre nós, sejamos capazes de fazer isso durar para sempre. Eu te amo, John Tyree, e eu vou agarrar-me à promessa que uma vez você fez para mim. Se você voltar, vou casar com você. Se você quebrar a sua promessa, vai partir meu coração.
02:46 abr. 27th
with 101 notas
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"La canción de nosotros" - Eduardo Galeano. (via viejaculturafrita)

Yo no hablo, yo no lloro, piensa; pero yo me canso. Ya no me quedan más ganas de moverme y seguir. Todas las calles son en subida.
Rodrigo Oliveira

Um abraço teu
um sorriso meu
mais um lindo dia,
nasceu…
02:37 abr. 27th
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source / via
Fernanda Gomes.   (via felicidadeadois)

Um dia me falaram que se você precisa de algo ou pede conselhos a alguém, no final a única coisa que vão te dizer é “vai dar tudo certo”. Acredita que é assim com todo mundo. Mas você só precisa de alguém que te faça se sentir seguro, confiante disso.
Rodrigo Oliveira

Me perdi. Saí da trilha. Fugi do rumo. Engraçado falar assim, até parece mesmo que estou em meio ao mato, perdido. Talvez fosse melhor, assim, poderia traçar o caminho contrário e quem sabe retornar a origem. E quando não há mais caminhos opcionais a se tomar?
Certa vez, ouvi dizer que sempre nos perdemos por uma boa razão. Seja ela boa ou má, mas sempre existe um motivo. Nunca fui bom em brincadeiras de esconde e nem nas brincadeiras de guardar o segredo. Talvez seja por isso que a técnica do meio termo não funcione comigo. Eu sou oito ou oitenta, sem equilíbrio. Opa, acho que encontrei o motivo de estar perdido. Mas, o motivo ainda não me achou… Cadê você, Equilíbrio?
Vagar por essas bandas aqui de dentro já não me parece tão ruim. Até que eu estou gostando de me achar aos poucos nessa caçada sem fim por um ponto meio termo. Mas, e quem sabe quando o encontrarei? Quem sabe se já não o encontrei? Se perder já não parece a forma tão certa de se dizer. O que importa é perder a cabeça mantendo os pés no chão. Não me refiro a fazer nada sem pensar. Pense, pense bem, com o coração. Equilíbrio, Equilíbrio, ainda bem que encontrei você. E agora? E quanto a nós, quem sabe?
Rodrigo Oliveira

Que as lembranças, não importando o bem ou mal que façam, continuem a florescer. Dando continuidade a esse leva e traz que toda noite, insiste em renascer. Que todo o trabalho feito, traga recompensas calorosas. E enfim, em alguma noite charmosa, o passado retome acontecer.
Rodrigo Oliveira

Moça bonita, teu cabelo tem um brilho escandescente. Teu olhar, uma força surpreendente… Oh, bela moça, de onde vem esse teu sorriso reluzente? Vez ou outra me pergunto se é ilusão, olho para trás e retorno para frente. Querida, por quanto tempo terei teus abraços quentes? Meia noite, meia volta… Uma última música, uma última dança. Hora de encarar, deixar de ser criança já que fugir não adianta. No fim, já na última batida – a bela – disparou sua lança.
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